2025: O ANO EM QUE PERDI PESSOAS E COMECEI A GANHAR CHÃO 13/01/26 22:24

2025: O ANO EM QUE PERDI PESSOAS E COMECEI A GANHAR CHÃO 13/01/26 22:24

Estamos praticamente a meio do mês de janeiro e eu ainda não tinha falado sobre o meu ano de 2025.

Talvez porque falar dele obriga-me a ser honesta.
E a honestidade, às vezes, dói mais do que o silêncio.

Ainda assim, hoje apeteceu-me parar e fazer uma breve reflexão. Não para romantizar o que correu mal, mas para tentar — na medida do possível — transformar as coisas menos boas em aprendizagem.

O meu 2025 não começou da melhor forma. Aliás, se for justa comigo, diria que desde 2021 que todos os meus inícios de ano começam mais ou menos da mesma maneira… e acabam iguais. Foram três anos seguidos a viver em modo automático. As razões existem, mas ainda não sou capaz de falar sobre elas.

Isso não quer dizer que eu não fizesse coisas. Eu fazia. Vivia, viajava, tentava aproveitar a vida. Mas aquilo que eu estava a sentir — e a atravessar — não me permitia sentir verdadeiramente. Não me permitia agradecer, valorizar, experienciar como devia. E isso traz-me, muitas vezes, uma culpa enorme. Faz-me sentir, por vezes, a pior pessoa do mundo.

O ano de 2025 não foi muito diferente. Comecei-o carregada das mesmas cansaços, das mesmas dificuldades, da mesma doença dos últimos anos. Era como se tudo isso estivesse impregnado em mim.

Mas a meio do ano — talvez ali pela primavera — algo começou a mudar.

Comecei a ver uma primeira luz ao fundo do túnel.
E essa luz veio de uma amizade antiga, profunda, que tinha sido quebrada por uma situação quase sem sentido.

Durante anos pensei que não era o momento certo. Que não valia a pena reatar. Até ao dia em que decidi que a amizade era maior do que aquilo que nos separou. Pelo menos, era o que eu acreditava.

Curiosamente, nos primeiros tempos após a rutura, não senti grande falta dessa amizade. Quando nos afastámos, era uma relação cansada, assente em ciúmes — aqueles ciúmes de amigos — e causava muito ruído mental. O desfecho, na altura, não me incomodou assim tanto.

Com o passar dos anos, fui mudando. E comecei a lembrar-me mais dos momentos felizes, da pessoa que ela tinha sido, do que daquilo que nos afastou. Decidi agarrar-me a isso e tentei voltar a esse lugar.

Contactei-a através de uma amiga em comum. Durante algumas semanas falámos pouco, sem compromissos, sem expectativas. Ela, entretanto, estava ligada a uma área da saúde mais naturista e acreditava profundamente que a situação de saúde que eu atravesso — e que não tem cura — poderia ser resolvida. Quis ajudar-me, acompanhar-me, viver esse processo comigo.

Eu não consegui aceitar ajuda gratuita. Não fazia sentido para mim. Então tentei compensá-la de outras formas, ajudando-a naquilo que eu sabia fazer e ela não.

Ela estava a iniciar a sua carreira. Não tinha estrutura, nem presença digital, nem ferramentas. Não sabia trabalhar com redes sociais, com plataformas, com organização. E eu ajudei-a. Dei-lhe estrutura, caminho, orientação. Contactei pessoas, organizei entrevistas, criámos projetos, um podcast, uma rúbrica. Vi-a aproximar-se daquilo que sempre idealizou ser.

Mas tudo isto acontecia enquanto ela tentava reerguer-se numa relação onde só ela estava emocionalmente presente. Uma relação que, para ela, fazia sentido. E eu respeitei isso.

Até que houve um grande evento. Um evento completamente fora do meu eixo, dos meus interesses, mas ao qual ela fez muita questão que eu fosse. Pediu-me mesmo que a acompanhasse, que estivesse com o grupo de amigas dela.

Aceitei.

E foi aí que tudo começou a desmoronar.

Nesse evento encontrei um grupo de mulheres cheias de fragilidades, com uma necessidade enorme de validação e de relação. A minha amiga, junto delas, era outra pessoa. Mais fechada, mais rígida, quase autoritária. Nada parecida com quem era comigo.

Acabei por ficar sozinha durante horas. Os bilhetes eram diferentes, os lugares também. Só nos vimos no intervalo, já depois de muito tempo. Aquela experiência, para mim, parecia mais religiosa do que outra coisa. Não me identifiquei com nada.

Antes do evento terminar, fui-me embora. Quando não estou bem, saio. Sempre foi assim. Avisei-a por mensagem. Ela não respondeu. Ficou mais de 24 horas em silêncio.

No dia seguinte, o evento continuou. Ela foi. Eu não. Avisei-a novamente.

Na semana seguinte, deixou de me atender. Nunca mais atendeu chamadas. Nunca mais respondeu.

Foi uma perda enorme. Não conseguia compreender como um evento podia destruir uma amizade de quase 20 anos. Parecia-me surreal. Escrevi mensagens, e-mails, apenas a pedir uma explicação. Até perceber que estava a ser bloqueada em todos os canais.

Desisti.

Mais tarde, uma amiga em comum contou-me o que sabia. Disseram-me muitas coisas. Que havia inveja. Que ela se sentia diminuída. Que os nossos eixos eram diferentes. Eu não acredito em nada disso.

Eu acredito apenas no que a minha alma sente.

E o que sinto é que aquela pessoa não está bem. Que precisa de ajuda. Que o silêncio dela diz mais sobre ela do que sobre mim. 

As pessoas que mais nos magoam são quase sempre aquelas de quem mais gostamos. Isso não é novidade para ninguém. A mim aconteceu. E afetou-me profundamente. Precisei de ajuda psicológica. Vivi um luto que não escolhi.

Talvez nunca venha a ter uma explicação. E talvez isso tenha de ser suficiente.

Este texto não é um pedido de validação, nem um desabafo à procura de respostas. É apenas para te dizer que isto acontece. Acontece a toda a gente. Que diz mais sobre o outro do que sobre nós. E que a vida continua.

Depois desse afastamento, curiosamente, começaram a acontecer coisas boas. Novos começos. Novas pessoas. Outras despedidas.

2025 foi um ano de viagens, de doença, de vícios, de perdas, de mudanças. Foi também o ano em que comecei o meu quarto livro. O ano em que criei este site. O ano em que comecei, devagar, a imaginar uma vida diferente.

E é isto.

Nem sempre vamos encontrar respostas para tudo.
O importante é não cairmos para sempre. É levantarmo-nos. Continuarmos.

Se este texto servir de casa para alguém, já valeu a pena.
Se alguém se sentir menos sozinho ao lê-lo, então está cumprido o seu propósito.