Tive um emprego “seguro”.
Foi assim que lhe chamaram.
Na prática, era outra forma de prisão.
Assédio sexual.
Assédio moral.
Humilhações repetidas, normalizadas.
Horários que não eram horas — eram dias inteiros de medo e exaustão.
Durante onze anos aguentei.
Aguentei para me sustentar.
Aguentei para sustentar a minha filha.
Foi ali que aprendi a sobreviver em silêncio.
Foi ali que me tornei solicitadora.
Foi ali que construí uma carreira —
e, ao mesmo tempo, comecei a perder a saúde mental.
Vivia aterrorizada com a ideia de falhar.
Não porque falhasse, mas porque falhar não era permitido.
Saí de lá inteira por fora
e profundamente ferida por dentro.
Mas sobrevivi.
E sobreviver, às vezes, é a maior vitória que existe.