Acordei com dor de cabeça.
Talvez das preocupações. Talvez desse peso invisível das decisões que não se resolvem durante o sono e insistem em acordar connosco.
Hoje tomei uma decisão importante.
Não foi limpa.
Não foi confortável.
Mas aproxima-se da verdade que quero construir.
Não a que reage por medo ou por hábito —
a que escolhe com consciência, mesmo quando ainda treme.
Há decisões assim.
Não fecham ciclos.
Abrem chão.
São apenas um passo fora do lugar conhecido.
Um passo que nos obriga a reaprender a pisar.
Não tenho respostas para hoje.
E está tudo bem.
Cumpro apenas o ritual que decidi não abandonar este ano:
escrever.
Como forma de presença.
Como maneira de me manter acordada para a vida.
Peço pouco ao dia:
serenidade, atenção, algum silêncio.
Caminhar inteira.
Isso chega.