Não é azar. Não é fraqueza. É história.
As pessoas boas não escolhem mal porque gostam de sofrer.
Escolhem mal porque aprenderam cedo que o amor vinha com esforço.
Quase sempre vêm de infâncias onde o afeto era instável, onde o cuidado não era garantido, onde ser vista exigia adaptação. Cresceram a acreditar que amar era dar mais, ceder mais, esperar mais um pouco. Que, se se doassem o suficiente, alguém acabaria por ficar.
Essas pessoas tornam-se adultas sensíveis, empáticas, disponíveis. Sabem ler silêncios, antecipar necessidades, compreender falhas. São chamadas de “boas” porque suportam o que outros não suportariam. Mas essa bondade tem um preço: confundem intensidade com amor, esforço com compromisso, migalhas com promessa.
Do outro lado, pessoas erradas reconhecem isso à distância. Não precisam de oferecer muito — basta atenção intermitente, alguma validação, um gesto fora do lugar. E a pessoa boa cresce ali dentro, projeta, constrói sozinha aquilo que nunca foi dito.
É assim que se encolhe para caber.
É assim que se fica onde dói.
É assim que se normaliza o que não devia ser normal.
Curar isto não passa por “escolher melhor” à força. Passa por reaprender o corpo. Passa por entender que amor seguro não causa ansiedade, não exige sacrifício constante, não vive de dúvidas. O amor certo é simples, previsível, inteiro.
Quando uma pessoa boa deixa de tentar merecer amor, começa finalmente a escolhê-lo.
Escrevo para quem sente fundo e precisa de palavras onde antes houve silêncio.
Se este texto te fez sentido, fica. A tua sensibilidade não é um erro.