APRENDEMOS A TER MEDO. NÃO NASCEMOS COM ELE 09/01/26 15:28

APRENDEMOS A TER MEDO. NÃO NASCEMOS COM ELE 09/01/26 15:28

Apesar de só estar a escrever a esta hora, trabalho desde as seis da manhã.
Esta noite dormi mal. Não sei explicar bem porquê. Talvez ansiedade. Aquela sensação miudinha, quase invisível, de que alguma coisa pode não correr tão bem — mesmo quando acreditamos que vai.

Às vezes dou por mim a desejar ter outra vez 17 anos. Não pelo corpo, nem pela leveza do tempo, mas pela forma como pensava. Quando abri a minha primeira empresa, nunca me passou pela cabeça que pudesse falhar. Nunca pensei em escassez, em medo, em “e se não der”. Nem sequer nos primeiros meses, que foram os mais difíceis.

Era um centro de estudos. Tinha dois alunos. Dois.
E, ainda assim, eu sabia — não achava, não esperava, sabia — que um ano depois aquela sala estaria cheia. E esteve. Tão cheia que tive de alugar mais duas lojas ao lado. Também ficaram cheias.

Essa continua a ser, até hoje, a maior prova que tenho de que quando acreditamos de verdade — quando não deixamos espaço para o medo — as coisas acontecem. Não por magia. Por alinhamento. Por foco. Por ausência de ruído.

Com o tempo, a vida trata de nos ensinar outra coisa.
Ensina-nos a duvidar.

Passamos por perdas, por desilusões, por injustiças, por cansaços que se acumulam no corpo. E, de repente, mesmo com inteligência emocional, com maturidade, com experiência, surgem os pensamentos que antes não existiam:
E se não der certo?
E se der, mas eu não conseguir aguentar?
E se eu falhar?

Talvez seja inevitável. Talvez faça parte de crescer.

Hoje preparo-me para lançar algo novo. Uma marca. Um espaço meu. Um lugar onde também se vendem produtos — sim — mas que não nasce apenas disso. Nasce daquilo que eu sou. Do que uso, do que escolho, do que escrevo. Das minhas inseguranças, dos meus medos, da minha história.

Este site quer vender, claro. Mas quer, acima de tudo, ser abrigo.
Um sítio onde se entra para comprar alguma coisa… e se fica porque se reconhece alguma coisa.

Aqui vou falar do que escrevo, do que vivo, do que me assusta e do que me salva. Vou falar da minha doença, com tempo. Já falei de outras fragilidades. Falarei de mais. Não por exposição, mas por verdade. Porque acredito que partilhar pode ajudar. E porque sei que não sou a única a sentir isto.

Talvez já não tenha 17 anos.
Mas continuo aqui. A fazer. Apesar do medo.

E se este cantinho conseguir tocar alguém — nem que seja uma pessoa de cada vez — então já valeu a pena.

Amanhã volto.

Qual a tua forma de expressão?