Vim de uma garagem.
Não era apenas um espaço pequeno —
era um lugar onde se sobrevivia, não se habitava.
Depois, quase sem alarde, cheguei a uma casa branca.
Bonita. Silenciosa no bom sentido.
Uma cozinha luminosa, uma sala com um sofá vermelho,
um quarto feito com amor para a minha filha.
Foi ali que algo mudou.
Não foi riqueza.
Foi pertença.
Pela primeira vez, senti que podia pousar o corpo.
Que o silêncio não era ausência, mas abrigo.
Que a vida já não me empurrava — começava a abrir-se.
Essa casa não era só um espaço.
Era um marco.
Foi ali que comecei a reconstruir-me.
Foi ali que percebi que a vida podia, finalmente, ser minha.